China | Curiosidade | Economia

06/08/2008 at 21:03 Deixe um comentário

Amigos leitores,

E o caso China heim? Será que agora ela abre pro mercado global? Será que o muro agora cai? O capitalismo mais uma vez vai subverter a principal hegemonia comunista do mundo? Hu Jintao nunca tinha falado pra imprensa ocidental, agora ele já está em todas as capas de jornais e revistas e sempre tem lá uma frase celebre dele, onde num dilema moral, se lê entrelinhas que “quero abrir o mercado, mas sou presidente do “único” país comunista do mundo.” É Jintao, o dilema como podemos ver já não é mais ideológico apenas, chega ser até moral.

Abaixo, lendo a Folha de S. Paulo de domingo último, 3, no caderno Mais! tem uma entrevista com Yan Xuetong, o novo mestre da direita chinesa. É verdade.
Leiam, se tiverem mais interesse pesquisem sobre e particularmente não queria que o mercado tomasse conta de valores culturais tão valiosos como o chinês. Infelizmente ele chega e quebra tudo, e eu nem quero dizer com isto que prefiro o comunismo que engorda um Estado cada vez menos preocupante com o indivíduo, mas que por controle de força maior ainda é aceito pela população local.

Como diz um amigo, que o capitalismo até chegue na China, mas que junto dele, chegue também milhões de missionários cristãos a fim de pregarem o Evangelho naquela nação.

Forte abraço,
Lucas Castro


“Nem Freud se aplica aqui”


Líder da Nova Direita, o cientista político Yan Xuetong diz que China é mais liberal que os EUA


DE PEQUIM

Defensor da “moralização” do capitalismo chinês e de mais investimentos na área social, o cientista político Yan Xuetong, 55, é líder da Nova Direita chinesa, que chama de “reformista”. “Até os EUA têm uma rede de proteção social maior que a da China, que é comunista”, diz.
Diretor do Instituto de Estudos Internacionais da Universidade Tsinghua. É PhD em ciência política pela Universidade da Califórnia, em Berkeley, e dirige o “Jornal Chinês de Política Internacional”. Alguns de seus livros são adotados pelo Ministério da Educação.
Em sua página na internet, a principal foto é dele ao lado de Henry Kissinger, ex-secretário de Estado dos EUA. Leia trechos da entrevista que concedeu à Folha. (RJL)

 
Direita-esquerda
Ainda que economicamente a esquerda seja conservadora e a direita, progressista, na China tudo se embaralha.
Política externa multilateral, nacionalismo, defesa de democracia com vários partidos podem estar na direita ou na esquerda, sem diferenças. Mas o país cresceu graças às reformas liberais introduzidas em 1978.
A economia de mercado desenvolveu a China.

Mais reformas
Muitas reformas são necessárias na China, principalmente a política, que é a que não deve acontecer tão cedo. As mais urgentes são as que moralizem nosso capitalismo e promovam mais igualdade entre pobres e ricos, que promovam uma proteção social dos mais pobres.
Nos últimos 30 anos, a China priorizou o crescimento econômico e ignorou os conflitos sociais. Não podemos parar as mudanças só porque o país está crescendo.

Estados Unidos
Os EUA têm um dos piores sistemas de saúde e previdência social entre os países ricos, mas já seria um sonho a China ter algo parecido. Somos piores que os EUA! Não dá para ser como a Europa, que gasta demais e cresce de menos.
Os EUA são bem liberais, mas o Estado ainda é mais presente lá que aqui.

Moralizar o capitalismo
Defendo uma economia de mercado com moralidade. Trapacear é errado, ser corrupto é errado, fazer dinheiro com tráfico de drogas, prostituição e contrabando é errado.
Apoiar os mais pobres não é apoiar os preguiçosos, como alguns pensam.
Acho que a política de Hu Jintao e Wen Jiabao é de corrigir esse modelo do enriquecimento custe o que custar.

Lei trabalhista
Sou contra a nova lei trabalhista. Ela joga em cima dos patrões toda a culpa pelo descaso social da China em décadas.
Ao dar estabilidade a funcionários após o segundo contrato ou para quem já tem dez anos de trabalho, faz com que vários patrões demitam funcionários mais antigos ou torna cara a manutenção destes.
Transforma em fardo os empregados mais velhos para as pequenas empresas. É prejudicial para patrões e empregados, engessa as relações -na prática, não funciona.

Novas prioridades
As prioridades precisam mudar. Prefeituras, Condados, governos provinciais gastam fortunas em suas sedes de luxo, enquanto as escolas são feitas com materiais baratos.
Veja o que se gastou para fazer o novo teatro nacional de Pequim, as instalações olímpicas -é um gasto imenso que não é para o povo.
A arrecadação de impostos na China cresceu 35% no ano passado, enquanto o PIB cresceu 11%. O governo poderia ter outras prioridades. Na época da Revolução Cultural, não havia dinheiro, mas havia um sistema de saúde.

Privatizações
Apóio as privatizações. Ainda há muitas empresas gigantescas nas mãos do Estado, quando sabemos que as particulares têm resultados melhores.
Compare o socialismo chinês ao capitalismo americano. Tirando o poder do Partido Comunista, não há muitas diferenças. Mas não usamos o termo capitalismo na China porque é muito malvisto, é tão negativo como o terrorismo.

Burocracia
É imprescindível reformarmos o funcionalismo público.
Professores e enfermeiras podem ser facilmente demitidos, mas não autoridades e burocratas públicos. Eles são promovidos por tempo de serviço, não por mérito. Veja os EUA: estão sempre convidando gente de fora para trabalhar e reformular sua política externa.
Na China, os diplomatas são promovidos a cada dois anos, trabalhem ou não, sejam produtivos ou não. Há muita gente incapaz no governo.

China modelo?
O modelo chinês só serve para a China. É um alerta, quem quiser segui-lo vai fracassar.
Tirando o Vietnã, com quem compartilhamos uma história comum, não se aplica a outros países. Nem marxismo nem capitalismo são iguais aqui e no Ocidente. A China é diferente, nem Freud se aplica aqui.
Nosso animal-símbolo é o dragão, que não é real. Somos ave, somos cavalo, somos peixe, pode ser o que você quiser, mas é só chinês.

Rico, mas fraco
Sou otimista. Em cinco anos, a China será a segunda economia mais importante do mundo, e a influência política do país só irá crescer. Mas levará muito tempo para ser uma superpotência. Seremos mais ricos, mas militarmente somos cada vez mais fracos.
Não combatemos em nenhuma guerra desde 1984 [quando houve conflitos de fronteira com o Vietnã]. Somos como o Japão -temos um Exército com equipamentos modernos, mas ninguém sabe exatamente como usá-los.

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