PBH

11/07/2008 at 12:45 Deixe um comentário

ELEIÇÕES
O lado avesso da prefeitura
Funcionários da limpeza urbana são obrigados pela SLU a usar a camisa do uniforme pelo contrário para tampar a logomarca da PBH. Alegação é de que a lei eleitoral proíbe propaganda
Alessandra Mello
Paulo Filgueiras/EM/D.A Press
Garis seguem à risca orientação superior. No detalhe, a etiqueta para fora

Cerca de 2.700 funcionários da Superintendência de Limpeza Urbana (SLU) de Belo Horizonte, muitos deles trabalhadores da área de varrição e coleta de lixo, foram obrigados a usar o uniforme pelo lado avesso. A explicação da SLU para baixar essa norma foi evitar problemas com a lei eleitoral, que proíbe a propaganda institucional nos três meses que antecedem o pleito. A orientação constrangeu os funcionários e pode ser alvo de uma investigação do Ministério Público do Trabalho, caso a SLU não volte atrás. Segundo um aviso afixado pela SLU no aterro sanitário da BR-040, caso a norma seja descumprida, o Tribunal Regional Eleitoral (TRE-MG) “pode notificar a PBH/SLU e consequentemente o servidor”.

Veja os detalhes Aviso afixado pela empresa na entrada do aterro sanitário, no Bairro Califórnia

Por meio da assessoria de imprensa, a SLU informou que a orientação para tampar os símbolos que identificam a atual gestão partiu do TRE e como não dava para trocar todos os uniformes de uma vez, os trabalhadores foram orientados a usar a roupa pelo avesso. Em dois dias, segundo a SLU, todos os uniformes serão pintados para tampar a marca. Até lá, a SLU admite que determinou o uso das roupas pelo lado contrário.

Na terça-feira, a Comissão de Fiscalização da Propaganda Eleitoral proibiu qualquer menção ao Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) e também a utilização da logomarca do governo federal nos uniformes dos servidores públicos da capital, principalmente dos operários que trabalham nas obras do programa.

A orientação para retirar também dos uniformes a logomarca e o slogan da administração municipal partiu da própria prefeitura e foi feita em caráter preventivo, segundo informou o procurador Marco Antônio Teixeira, “Mas há uma distância muito grande em retirar a marca dos uniformes e fazer as pessoas trabalharem com a roupa virada do avesso”, comentou o procurador, que não sabia da determinação da SLU.

CHACOTA Revoltados com a determinação, muitos garis procuraram o Sindicato dos Servidores Públicos Municipais de Belo Horizonte (Sindibel) para denunciar a medida. “Eles se sentiram humilhados com essa determinação absurda. Muitos foram alvos de chacota nas ruas, chamados de palhaço e vítimas de piadas de mau gosto”, reclamou Célia Lélis, presidente do sindicato. Além disso, ela lembra que existe uma crença popular de que vestir roupa do lado avesso dá azar.

Há 10 anos trabalhando na varrição de rua, uma funcionária de 55 anos, que pediu para não ser identificada, disse ter ficado “abismada” com a determinação. “Fui avisada de que teria que colocar a roupa do lado avesso pela faxineira do viaduto, caso contrário teria meu ponto cortado”. Ela conta que entrou em um bar, virou a roupa e logo que saiu do banheiro foi indagada se estava com doença sexualmente transmissível”. Para resolver, ela conta que pediu uma fita crepe emprestada ao dono do bar e usou para esconder os símbolos da prefeitura.

Outra gari, de 44 anos, 22 deles na varrição de rua, disse que chegou a passar mal quando foi avisada na madrugada de ontem de que teria de usar a roupa virada. “Até agora não estou me sentindo bem. Isso dá azar”, reclamou. Segundo ela, os funcionários que trabalham para as empreiteiras contratadas pela prefeitura já estavam com os uniformes pintados. Ela também disse que foi ameaçada com o corte de ponto caso não atendesse a orientação.

A procuradora do Traballho, Juliana Vignoli Cordeiro, disse que a SLU pode ser acionada caso mantenha essa orientação. Segundo ela, é dever do empregador zelar por um ambiente de trabalho saudável e também fornecer uniformes adequados para seus funcionários. Essa regra, lembra a procuradora, vale também para o serviço público. Segundo ela, se a prefeitura não tinha como substituir os uniformes a tempo para não levar multa, deveria ter liberado os trabalhadores do uso do uniforme ou procurado uma solução rápida, mesmo que ocasionasse gastos. “O que não pode é submeter o trabalhador a esse tipo de constrangimento”, afirmou.


“Fui avisada de que teria que colocar a roupa do lado avesso pela faxineira do viaduto, caso contrário teria meu ponto cortado”

Gari da Superintendência de Limpeza Urbana

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por José Nivaldo Cordeiro | economista mestre da FGV-SP Vem quente!!!!

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