Jornal EM | 08/07/2008

08/07/2008 at 20:41 Deixe um comentário

Inflação do pobre é duas vezes maior

Índice da Fundação Getulio Vargas aponta avanço de 1,29% no custo de vida de quem ganha de 1 a 2,5 salários mínimos
Zulmira Furbino

A inflação dos pobres deverá fechar o ano com o dobro do tamanho da que atinge as pessoas ricas. Em junho, o Índice de Preços ao Consumidor Classe 1 (IPC-C1), que mede os preços das despesas de consumo das famílias com renda entre 1 e 2,5 salários mínimos, atingiu 1,29%. No mesmo período, a alta registrada no IPC-BR, que mede o comportamento de preços da população com renda entre até 33 salários mínimos, ficou em 0,77%. As despesas que constam no primeiro índice são as mais básicas, enquanto o segundo engloba itens e serviços com os quais a população pobre não pode nem sonhar, como carro zero, curso de pós-graduação, plano de saúde, entre outros. Os dados são da Fundação Getulio Vargas (FGV).

No primeiro semestre, a alta de preços nas despesas dos pobres já acumula 5,97% e nos últimos 12 meses sobe para 9,11%, a maior já registrada pela série histórica do IPC-C1. Para os ricos, nos seis primeiros meses do ano, o índice ficou em 3,84% e nos últimos 12 meses, em 5,96%. Essa disparidade acontece porque uma parcela considerável do orçamento familiar dos mais pobres – 40% – é destinada à alimentação. “Alimentos essenciais como carne, arroz, feijão apresentam aumentos de preços e comprometem uma parcela de gastos que já é grande para a população de baixa renda”, explica o economista do Instituto Brasileiro de Economia (Ibre), da FGV, André Braz.

Cristina Horta/EM/D.A Press
“Já não estou comprando a mesma quantidade, e o almoço de domingo”
Divina da Piedade, dona-de-casa

Exemplo de como a carestia bate mais forte na mesa dos pobres é o que ocorre com a carne. Nos últimos 12 meses, enquanto a carne bovina registrou aumento médio de 44,13%, os cortes de segunda subiram muito mais. O acém foi reajustado em 59,39%, a pá e a paleta, em 65,27%, a carne moída, em 47,19%, a costela, em 50,51%, e o fígado, em 48,23%. Enquanto isso, cortes nobres subiram bem menos: alcatra (24,95%), patinho (31,74%), contra-filé (26,04%), filé-mignon (26,04%). Nos últimos 12 meses, fortalece essa disparidade o encarecimento de itens como feijão carioquinha (137,51%), feijão preto (151,08%) e arroz (45,78%). E o pior é que não há perspectiva de que as coisas vão mudar de rumo.

Na tarde de ontem, no Frigorífico Mister Boi, Região Leste da capital, a empregada doméstica Dulcinéia de Jesus, de 35 anos, reclamava do preço da carne. Com o salário de R$ 500, costumava gastar, em média, R$ 80 mensais com o produto, mas agora diz que está gastando R$ 150, mesmo levando as carnes mais baratas. Por causa do aumento dos preços, ela passou a comprar três quilos de acém para a semana, em vez de levar os cinco quilos de carne de primeira como fazia antes.

Aperto parecido vem ocorrendo nas contas da dona-de-casa Divina da Piedade, de 49 anos. Ela recebe R$ 480 por mês como diarista, dos quais R$ 200 são destinados às compras de supermercado. “Já não estou comprando a mesma quantidade de arroz, feijão, açúcar, carne e óleo, e o almoço de domingo com a família está mais caro”, sustenta. Divina conta que o pão e o leite de todos os dias não sobram. “Agora, estou comprando só o necessário.” (Com Joana Gontijo)

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