31/03/2008 at 17:31 Deixe um comentário

É preciso adequar-se às mudanças, aos 30, 40 ou 50 anos
Walter Machado de Barros31/03/2008

Nosso velho conhecido, Philip Kotler, de 78 anos, em seu mais conhecido compêndio sobre marketing (“Administração de Marketing”), quando abre o capítulo dedicado a preparação do planejamento estratégico, reproduz um pensamento de autoria anônima que diz: “Há três tipos de empresas: as que fazem as coisas acontecerem; as que observam as coisas acontecerem e as que se espantam com o que aconteceu”.
Adaptando o pensamento acima, sem margem de erro, afirmaria que “há três tipos de profissionais: os que fazem as coisas acontecerem; os que observam as coisas acontecerem e os que se espantam com o que aconteceu”.
No mundo dos negócios, constata-se uma luta de gerações, pressionadas por uma força de trabalho, que diariamente entra no mercado, forçando com os cotovelos, a conquista de um espaço no grupo conhecido como estagiários, trainees e assistentes. Essa geração, no exercício de seu primeiro emprego, busca participar do seleto grupo conhecido como “população economicamente ativa”, segundo os economistas.
Nesta luta, os menos jovens- hoje na faixa de idade compreendida entre 35 e 38 anos-, ou aceitam atavicamente o seu destino no mercado informal de trabalho, ou vão à luta, se reciclam, se renovam, reinventando o profissional que enfrentará novas batalhas. Muitos acabam se perdendo pelo caminho, porém, os que vencem ficam mais sábios, eficientes e eficazes, com vantagens competitivas que, certamente, contribuirão para gerar valor para as empresas-contratantes.
Por outro lado, os jovens senhores profissionais de 50 anos lutam contra a força propulsora que busca colocá-los fora do mercado de trabalho. Estão enfrentando um impulso crescente, em escala jamais vista: o de encarar com a mesma energia e intensidade os jovens profissionais na faixa de 35 a 38 anos de idade, que armados com seus diplomas de mestrados e doutorados, também perseguem os melhores cargos como que se buscassem o santo Graal. Para esses jovens senhores, a saída é “correr contra o prejuízo”. Não se deve acreditar na perpetuação de seus cargos e na fidelização de suas chefias que, em situação limite, também lutarão pela sobrevivência profissional. Além disso, seja chefe ou subordinado, todos serão medidos, avaliados pelos resultados apresentados, independente da faixa etária ou especializações acumuladas.
Esses dois grupos, os menos jovens de 35 a 38 anos e os jovens senhores de 50 anos acabam por freqüentar os mesmos locais em busca de cursos de reciclagem profissional, promovidos por escolas de ponta. Todos com o objetivo de adequar suas habilidades e adestramento para liderar a batalha das mudanças que as empresas tanto necessitam nesta época de globalização e busca voraz de vantagens competitivas.
Na busca por aptidões que atendam à globalização é que surge o “novo gerente”. Uma espécie de líder da mudança que faz a diferença, porque aprendeu novas habilidades para modificar o comportamento das pessoas que geram resultados cada vez melhores, com maior rapidez que os concorrentes.
Em 1996, o livro intitulado “Os verdadeiros líderes da Mudança” (Editora Campus), de autoria de Jon R. Katzenback e da equipe de Real Change Leaders da McKinsey & Co., já tratava do complexo tema da Mudança, deixando claro que muitas organizações têm ativos preciosos: homens e mulheres comuns, que devem ser transformados em líderes da mudança.
No ano seguinte, Richard Edler escreveu o livro “Ah, se eu soubesse…” com o sub-titulo “O que as pessoas bem-sucedidas gostariam de ter sabido 25 anos atrás” (Negócio Editora). Edler levou doze anos para coletar respostas de diferentes pessoas a uma mesma questão: “O que você sabe agora, mas gostaria de ter sabido 25 anos atrás?” O livro se inicia com parte de um discurso proferido por Adlai Stevenson, por duas vezes candidato à presidência dos EUA, na década de 50, para os formandos da Princenton University, que vale reproduzir.
“O que um homem sabe aos cinqüenta anos que não saberia aos vinte é, em grande parte, incomunicável… todas as observações úteis sobre a vida, passíveis de transmissão, podem ser bem conhecidas por um homem de vinte anos tão atento quanto um de cinqüenta. Tudo pode ter-lhe sido contado, ele pode ter-se entregue a toda a literatura à respeito, mas ele não viveu totalmente as experiências. O que se sabe aos cinqüenta que não se sabe aos vinte, não é o conhecimento de fórmulas ou formas de palavras, mas sim de pessoas, lugares, ações- um conhecimento derivado do toque, da visão, da audição, das vitórias e derrotas, da insônia, da devoção, do amor- e de experiências humanas e emoções deste planeta, de si próprio e de outro homem. Talvez, também, de um pouco de fé e de uma pequena reverência às coisas que não podemos ver.”
O texto acima traduz com bastante clareza o principal ativo de um homem: sua experiência vivencial, um conhecimento derivado de vitórias e derrotas, de insônias, de amor, enfim, do atrevimento de ousar, de fazer acontecer e saborear o doce mel das vitórias e o amargo das derrotas, o difícil aprendizado desta fascinante jornada.
Portanto, vale ressaltar que temos que descobrir novas ilhas de eficiência e sempre trabalhar para gerar valor. Relaxe e curta o seu caminho. Ontem é passado. Amanhã ainda não chegou. Mas hoje é absolutamente glorioso. E é seu para aproveitar.

Walter Machado de Barros é presidente do conselho de administração do Instituto Brasileiro de Executivos de Finanças (IBEF-SP) e sócio-diretor da WMB Consultoria de Gestão

fonte: Jornal Valor Econômico do dia 31/3/2008

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