China vê o crescimento de um budismo consumista

18/01/2008 at 09:43 Deixe um comentário


Olá leitores.
Bom, hoje quero compartilhar com vocês uma matéria do jornal Valor Econômico, sobre a entrada do mercado de consumo na China por exemplo, que vem influenciando áreas outrota muito conservadoras daquele povo. Eu nunca vi a China (e tb a Índia) com muito bons olhos e continuo com uma trave sobre os tais. Os drs. do mundo Capitalista sempre, em todo congresso, reunião, noticiários de rádio, artigos, publicações falam super bem destes países, ainda que o índice de exploração de mão de obra neles é muito alto e por demais nem um pouco “corretamente tributáveis”, digo, correto com os direitos dos trabalhadores. Lá, trabalhadores assalariados cumprem carga horária de 12 horas diárias, com apenas 1 dia de folga em 31 dias de jornada.

A China, está abrindo suas portas de ferro para o mundo Capitalista e o mundo tem sofrido graves consequencias economicas por causa desta ousada “avetura”.

Abaixo, compartilho com vocês uma matéria sobre o budismo e pinceladas do “zeitgheist” chinês no século XXI.
Vale muito a pena ler.

Dexter Roberts
17/01/2008 – No Jornal Valor Econômico

No início de dezembro, os círculos que fazem e acontecem em Pequim convergiram para sua área central de negócios, para a inauguração da galeria Kunlun. Bebericando Veuve Clicquot e champanhe Mumm, os magnatas do mercado imobiliário, guerreiros do mercado acionário e celebridades vestidas com Prada admiravam peças de estatuária budista da dinastia Ming e pinturas em pergaminhos do século XV.

Quatro obras de arte tibetanas acabaram compradas por US$ 3,4 milhões e, em um leilão seguinte, oito dias depois, 87 peças de arte budista alcançaram um preço total de US$ 10,4 milhões. Para o proprietário da galeria, um empreendedor meio tibetano, meio chinês, Yi Xi Ping Cuo, 35 anos, as vendas aquecidas foram outra evidência da popularidade do budismo na China. “A cada ano, há novos milhões de budistas”, diz Yi. “Evidentemente, eles querem colocar uma estatueta budista em seus lares deixar seus corações tranqüilos.”

O budismo está em alta – algo bastante paradoxal – tendo em vista o ateísmo oficial do Partido Comunista e sua relação difícil com o Dalai Lama. A crescente popularidade da fé reflete um anseio por sentido de vida entre os yuppies chineses, atraídos cada vez mais pelas peculiaridades budistas de rejeição ao materialismo e ênfase na natureza transitória da vida. “Eles têm um BMW e uma casa no campo”, diz Lawrence Brahm, um americano que administra três hotéis-butique, entre eles um no Tibete. “E eles estão enfadados. Estão se dando conta de que há mais coisas na vida do que colecionar brinquedos.” O modismo budista produziu um surto de negócios relacionados à fé: vôos para a capital tibetana, Lhasa, estão totalmente tomados, os mosteiros estão construindo acomodações para hóspedes e proliferam websites oferecendo mantras para download gratuito.

O budismo chegou à China proveniente da Índia no primeiro século da era cristã e floresceu até a era moderna. Depois que os comunistas tomaram o poder, em 1949, desestimularam as práticas religiosas. Mas, assim como o cristianismo, o budismo nunca desapareceu de todo. Alguns crentes continuaram, discretamente, a praticar seus cultos em altares montados em suas próprias casas. E não muito tempo depois de a China abraçar as forças de mercado no fim das décadas de 70 e 80, a fé ressurgiu no interior, onde camponeses visitavam templos reformados para orar e queimar seu incenso.

Apesar da abertura para a religião, a China permanece receosa diante de instituições religiosas. Suas relações com Roma, embora melhores nos últimos anos, não são, absolutamente, amistosas. E cerca de sete anos atrás as autoridades esmagaram a seita Falun Gong, que o governo considerou uma ameaça inaceitável, depois que 10 mil de seus membros manifestaram-se em Pequim para protestar contra seu ostracismo oficial. Mas o governo sente-se confortável com o budismo. “Os budistas raramente se metem em política”, diz Chan Koon Chung, um escritor e budista em Pequim. “Por isso, são mais palatáveis para o governo”. Em recente discurso, o presidente Hu Jintao chegou a sugerir que as religiões, inclusive o budismo, poderiam colaborar para aliviar as tensões das disparidades de renda.

Nos últimos anos, a fé vem repercutindo junto à classe de colarinho branco. Enquanto a China registra seu quinto ano de crescimento de dois dígitos, trabalhar 12 horas por dia e nos fins de semana é praxe. Li Xinglu foi típico da categoria: trabalhadora, bem-sucedida e espiritualmente insatisfeita. Ela dirigia uma firma promotora de eventos e trouxe artistas como Ricky Martin, Boyz II Men e o Dance Theater, do Harlem, a Pequim e Xangai. Li convivia com popstars, diplomatas e empresários. Mas faltava algo. “Eu estava fumando, bebendo e passando noites inteiras em clubes”, diz Li, 39 anos, casada com um americano gestor de fundos. “Eu passava muito tempo correndo atrás de felicidade.”

Um sonho recorrente com a morte de sua avó e conversas com um colega inclinado à espiritualidade a fez começar a refletir. Em pouco tempo, Li estava num avião rumando para a cidade de Xining, no noroeste da China. Após uma viagem de 21 horas em jipe através do platô tibetano, ela chegou ao mosteiro Tse-Reh. Lá, Li conheceu seu mestre, um monge de 19 anos que a pôs em um novo caminho. Hoje, Li suspendeu sua carreira e, em vez disso, concentra-se em ações beneficentes, entre elas captar dinheiro para mais um orfanato para crianças tibetanas. Segundo ela, sua conversão freou uma espiral descendente. “Eu não compreendia a existência de uma alma ou espírito”, diz Li.

Não muito tempo atrás, chineses jovens em ascensão voavam para lugares como a Tailândia, em busca de sol, mar e areias. Agora, como Li, muitos estão indo para retiros budistas na própria China. Templos estão sendo remodelados para receber hordas de turistas. O templo Buda de Jade, em Xangai, é hoje um dos principais destinos turísticos budistas na China. O mosteiro, que existe há 126 anos, administra seu próprio hotel de 44 quartos (US$ 134 é a diária para um casal) e vende amuletos da sorte, DVDs de monges recitando mantras e outros exemplos de parafernália espiritual. (Os monges, na expectativa de maximizar seus lucros estão chegando a cursar programas de MBA que oferecem aulas de administração de templos.)

Em novembro, a câmara de comércio da cidade costeira de Xiamen patrocinou a segunda feira budista anual de Objetos Artesanais. Mais de 40 mil empreendedores acorreram ao gigantesco Centro Internacional de Conferências & Feiras de Xiamen e abasteceram-se de estatuária, colares de contas para orações, queimadores de incenso e outras mercadorias. “Esta é uma formidável oportunidade comercial”, diz Xuan Fang, professor de estudos religiosos na Universidade do Povo, em Pequim. “Um colar de contas que pode valer não mais de um yuan, pode ser vendido por dezenas de yuans num templo.”

Alguns tradicionalistas temem que o budismo está assumindo um caráter de modismo excessivo. Exemplo: a diva pop Faye Wong, uma convertida cujos vídeos por vezes incluem imagens budistas. E alguns mosteiros concentram-se tanto em atrair turistas como na prática da fé. “Comercialização”, diz o professor Xuan, “é uma das mais perigosas tendências do budismo chinês”. Apesar disso, para yuppies estressados, o budismo é um alívio para a competitividade extremada. “A sociedade provoca muitas dores de cabeça”, diz Nikki Xi, uma convertida que trabalha numa agência de publicidade de internet. “Eu estou mais relaxada. [O budismo] torna o processo de trabalho mais harmonioso.”

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