PRECISAMOS DE NOVOS VALORES, O BRASIL ESTÁ FALIDO ANTE AOS IRMÃOS LATINO-AMERICANOS.

13/02/2007 at 22:47 Deixe um comentário

Voltei de Buenos Aires ontem, 12.
Vi, lá, quanto o Brasil carece de reformas publicas e politicas, de pessoas pensantes e ativas no meio comum-social. Hj, descobri tb, além de na viagem, que sofremos de uma tal sindrome de Placebo. Pesquisem e descobrirão melhor. Atentei pra algo muito interessante me dito hj em ambiente acadêmico: Nos falta aqui, Relação de Pertencimento.
O Brasil se perdeu.
Estou disposto a ter com meus amigos, e não, boas Relações de Pertencimento, seja aqui, ou mais intimamente num momento de contemplação da Graça. Aí já são outros 500.

Lendo a Folha, li isto abaixo:

Crise de valores
BORIS FAUSTO

No duro terreno dos fatos, os valores básicos de nosso tempo correm permanente risco. Há muitos inimigos dos valores democráticos

TORNOU-SE UM lugar-comum a referência à crise de valores nas sociedades ocidentais contemporâneas. Seria uma tarefa ingrata definir o conceito de valor. Melhor será pisar em terreno mais seguro, lembrando sua multiplicidade e sua natureza histórica.
A multiplicidade aponta para o fato de que valores específicos dizem respeito a esferas distintas da vida social: plano da religião, da família, da vida política. Eles podem ter conteúdo diverso, como é o caso da conhecida noção de Weber, distinguindo, no campo político, a ética da convicção e a ética da responsabilidade. Podem também estar inter-relacionados, como sustenta o mesmo Weber ao estabelecer relações entre a ética protestante e o espírito do capitalismo.
Na dimensão histórica, valores individuais ou coletivos permanecem, se transfiguram ou desaparecem. Por exemplo, nas sociedades aristocráticas, o heroísmo e a honra eram virtudes centrais e um apanágio da nobreza. No mundo burguês do passado ou de hoje, essas virtudes não desapareceram, mas deixaram de ter a mesma significação, passando, quase sempre, do âmbito público para o privado.
Heroísmos guerreiros não nos impressionam, embora governos ainda tentem fabricar heróis ou heroínas, como foi o caso do governo Bush no início da Guerra do Iraque.
O heroísmo de nossos dias não é um valor coletivo, mas uma façanha excepcional que os meios de comunicação destacam: o homem que se atira às águas de um rio-esgoto para salvar uma criança desconhecida; a mãe que, sem saber nadar, se lança às águas da enchente para tentar salvar a filha etc. Os heróis do nosso tempo, aliás, não são os generais condecorados, mas os simples bombeiros.
A honra passou para segundo plano, a ponto de não se levar muito a sério quem insista em resguardá-la. Os tempos são de “flexibilidade”, de desrespeitar o que, no passado, se chamava de “palavra de honra”. A esperteza na obtenção de vantagens passou a ser moeda comum, sempre justificada pelo êxito.
Por outro lado, tomando a dimensão mais ampla do que consideramos valores na sociedade atual, constatamos um paradoxo. Nunca eles tiveram um sentido tão abrangente, enquanto, ao mesmo tempo, são ignorados ou transgredidos. Nos dias que correm, estabeleceu-se -o que é muito positivo- uma associação entre o regime político democrático e a afirmação de valores.
A democracia contém, por definição, princípios de soberania popular, de liberdade de expressão, de rotatividade no poder, de transparência nas decisões, de igualdade entre os cidadãos, sem distinção de raça, gênero etc. Esses valores básicos não constituem prerrogativa de determinadas classes ou grupos sociais, mas se convertem em direitos de todos os membros da sociedade.
A constatação não pretende ocultar, obviamente, a distância que vai dos valores à sua prática, redundando, por várias razões, na crise da democracia. Mas tais valores são um parâmetro essencial do mundo de hoje.
Não é por acaso que, desde a liqüidação do nazifascismo e da derrubada do império soviético, se fala da democracia como valor universal. Essa expressão, porém, não tem estrito sentido geográfico. Os valores democráticos estendem-se à Europa ocidental, aos EUA, à América Latina e a países da Ásia (como Japão e Índia) com enraizamentos mais firmes ou mais frouxos. Por razões históricas, não alcançaram outras regiões do mundo ou constituem aí tendências bem minoritárias. Nessas regiões, a tentativa de impor um regime democrático a ferro e fogo só tem resultado em desastres, como se viu no Iraque.
No duro terreno dos fatos, os valores básicos de nosso tempo -e, aos já enunciados, poderíamos acrescentar outros, como a preservação da natureza- correm risco permanente, seja por razões ideológicas, pela carência material da população de alguns países ou pelo desejo guloso dos governantes de permanecer no poder. Infelizmente, os inimigos dos valores democráticos são muitos, e sua retórica, muitas vezes, é eficaz.
Os inimigos não estão ausentes dos países de regime democrático consolidado que contam, porém, com instituições sólidas para enfrentar os riscos. O canto da sereia autoritária encontra maior espaço em países marcados pela pobreza, nos quais salvadores da pátria e seus acólitos -intelectuais, burocratas e até profissionais liberais- tratam de reduzir os valores democráticos a uma “farsa das elites”.

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BORIS FAUSTO historiador, é presidente do Conselho Acadêmico do Gacint (Grupo de Conjuntura Internacional) da USP. É autor de, entre outras obras, “A Revolução de 30” (Companhia das Letras).

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