A culpa dos excessos de crianças mimadas recai sobre os pais…

17/12/2006 at 18:23 Deixe um comentário

BIA ABRAMO

A TV e o pé-de-guerra entre pais e filhos

A culpa dos excessos de crianças mimadas recai sobre os pais, cujo poder é minado por anúncios
NO NATAL , a vida, a partir da televisão, vira um inferno: mensagens edificantes, “musiquinhas” a propósito do espírito natalino (?!) e, claro, todos os tipos de apelo de consumo. Do mais sutil ao mais ruidoso, os anúncios é que são a verdadeira alma do Natal na TV. Nós olhamos, anotamos mentalmente algumas necessidades (poucas) e outros tantos desejos (muitos), fazemos umas contas e, depois de dias a fio bombardeados pela propaganda, podemos decidir se partimos ou não para a ação. Para as crianças, pobrezinhas, o tormento é mais profundo. Tudo que elas podem é querer, querer e querer -além de, claro, utilizar todos os seus recursos para tentar convencer os adultos da justeza e urgência de seus quereres. Elas pedem, exigem, choram, gritam, imploram, tentam negociar, se recusam a comer… (Cada pai e mãe sabe como essa seqüência pode prosseguir, em crescendos de sofrimentos para ambas as partes). O diabo é que, por mais que o poder das crianças consiga se impor na base de barulho, chantagem e irritação, ele ainda é indireto: é preciso um adulto munido de cartão de crédito para realizar suas ânsias de consumo. Daí, a dupla perversidade da publicidade dirigida às crianças: ela outorga-lhes um poder que elas não possuem. Nem é o caso de discutir aqui se elas devem ou não ter esse poder (não devem, numa opinião pessoal e simplificada). Mais do que isso, interessa entender aqui que tipo de infância emerge desse verdadeiro bombardeio. Os meninos e meninas criados a partir dessa falsa promessa do mundo do consumo estão constantemente frustrados por se acreditarem mais poderosos do que de fato são e tendem a olhar os adultos, que regulam e recusam, como inimigos (ou, no mínimo, uns perdedores). É claro que não é essa, ainda bem, a única força que opera na relação entre as crianças e os adultos que cuidam delas, mas pode-se dizer que esse embate tem se tornado cada vez mais central na experiência contemporânea, Não é à toa, por exemplo, que um dos sucessos televisivos do ano foi o “reality” “Supernanny”, no qual uma “especialista” cheia de fórmulas mágicas tenta pôr alguma ordem no pé de guerra entre pais e filhos. Muito convenientemente, a culpa pelos excessos das crianças mimadas e impossíveis recai sobre a debilidade moral dos pais e não se leva em consideração, por exemplo, como o poder dos pais é minado noite e dia, anúncio após anúncio.
biabramo.tv@uol.com.br

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