A CLASSE SEM PUDOR..

22/11/2006 at 20:51 Deixe um comentário

Estudo publicado no Reino Unido defende que as classes médias desenvolveram uma “anomia do mercado”, caracterizada pela desconfiança e cinismo em relação às leis e
aos regulamentos

Por RICHARD TOMKINS

Você está trabalhando até tarde no escritório. Enquanto carrega a impressora com mais papel, lembra de repente que acabou o papel A4 de sua casa. “Bem”, você diz a si mesmo, “estou fazendo hora extra sem ganhar nada a mais por isso, então a empresa me deve”. Sentindo-se justificado pelo que faz, você retira um pacote de 500 folhas do almoxarifado da empresa, e, aproveitando o ensejo, leva para casa também uma fita adesiva, três esferográficas e um bastão de cola Pritt. É claro que esse é um furto puro e simples. Se você fosse flagrado roubando esses objetos de uma papelaria, a polícia viria prendê-lo. De alguma maneira, porém, a classe média conseguiu convencer-se de que, se ela comete um crime visando seu ganho pessoal, não é a mesma coisa que acontece quando um membro das classes criminosas o faz. Então ela mente, engana e rouba com a consciência tranqüila. Pessoas da classe média fraudam seus impostos, escondendo dinheiro fora do país ou fazendo compras no exterior e escondendo da alfândega o que compraram. Inventam ou exageram perdas para receber dinheiro indevido de seguros. Compram produtos contrabandeados, com plena consciência do fato, e adquirem cópias ilegais de softwares de computador. Roubam toalhas de hotéis e academias de ginástica, fraudam suas despesas custeadas por suas empresas. E se prestam a cometer praticamente qualquer ato desonesto que se possa imaginar para conseguir que seus filhos encontrem vagas nas escolas que desejam para eles. Um estudo conduzido por criminologistas na Universidade Keele constatou que quase dois terços dos britânicos admitiram cometer atos desonestos, tais como deixar de dizer alguma coisa quando recebe troco em excesso, pagar empreiteiros em dinheiro vivo para evitar a cobrança de impostos ou comprar roupas para uma ocasião especial e devolvê-las depois, pedindo um reembolso. Os piores infratores foram pessoas da classe média: 70% dos entrevistados das classes sociais A e B admitiram cometer fraudes e desonestidades no cotidiano, comparados com 53% dos entrevistados das classes D e E. Onde foram parar frases como “a honestidade é a melhor política”, “quem engana não prospera”, “a virtude é sua própria recompensa” e outros axiomas semelhantes da classe média? Será que a classe média deixou de acreditar neles? Houve época em que as classes médias praticamente se definiam por sua retidão ética, ocupando uma posição moral supostamente elevada, entre as classes trabalhadoras displicentes e a aristocracia degenerada. Afinal, na era vitoriana muitos integrantes da classe média eram membros da vertente protestante dos não-conformistas, cuja origem remontava aos puritanos do século 17. Os códigos morais permeavam todos os aspectos da conduta pessoal -mais evidentemente a sexualidade, que a classe média procurava reprimir ao máximo. Como a limpeza era a virtude mais próxima da divindade, corpos, roupas e casas tinham que estar lavados e escovados sempre.

Fonte: Folha São Paulo
mais em: http://www1.folha.uol.com.br/fsp/mais/fs1911200620.htm para assinantes Folha.

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